sexta-feira, 19 de julho de 2013

Cresce número de adolescentes fora da escola


Na comparação entre 2009 e 2011, há 243.000 jovens a mais sem estudo, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad)

Baixa qualidade do ensino médio afasta jovens da escola
Baixa qualidade do ensino médio afasta jovens da escola (Agência Brasil)
Entre 2009 e 2011, aumentou em 243.000 o número de jovens com idades entre 15 e 17 anos que estão fora da escola, revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2009, 14,8% (1.479.000) dos adolescentes do país não estudavam; dois anos depois, o percentual chegou a 16,3% (1.722.000). Para especialistas, isso se deve a fatores como a baixa qualidade do ensino médio e a atração exercida pelo mercado de trabalho nessa faixa etária.
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Entre as crianças de 6 a 14 anos, a taxa de escolarização teve um aumento de 0,6 ponto percentual, passando de 97,6% para 98,2% no mesmo período. O IBGE aponta que, nos anos analisados, houve aumento do nível de instrução entre as pessoas com 25 anos ou mais. A proporção de brasileiros com ensino fundamental completo subiu de 8,8% para 10%. No caso do ensino médio, a taxa avançou de 23% para 24,5%; no ciclo superior, de 10,6% para 11,5%. Na distribuição por gênero, a média de anos de estudo entre as mulheres ficou em 7,5 em 2011, enquanto entre os homens atingiu 7,1.
IBGE - nível de escolaridade
A taxa de analfabetismo entre as pessoas com 15 anos ou mais caiu de 9,7% para 8,6%. Ainda assim, o número é alarmante: 12,9 milhões. Como era de se esperar, a diferença entre regiões é gritante, e o Nordeste concentra mais da metade (52,7%) do total de analfabetos. Apesar das quedas sucessivas nos últimos anos, a região ainda apresenta uma taxa que atingiu quase o dobro da média nacional (16,9%): no grupo das pessoas com 50 anos ou mais no Nordeste, mais de um terço (35,6%) são analfabetos.
Para a diretora executiva do Movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, o número de analfabetos possivelmente é ainda maior do que o indicado pela pesquisa, já que o estudo não leva em conta o nível de proficiência em leitura e escrita. “Alfabetização é muito mais do que escolarização. O IBGE olha os jovens e adultos com mais de 15 anos: aqueles que têm quatro anos ou mais de escolaridade são considerados alfabetizados. Mas, como temos uma educação muito ruim no Brasil, o que ocorre é que tem muita criança de 11 e 12 anos e até mesmo jovens já no ensino médio que ainda são analfabetos", diz Priscila.
(Com agência Estado)


Extraído de:
http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/cresce-numero-de-adolescentes-fora-da-escola

Cadeia de Chocolate

REBELIÂO DE ADOLESCENTES


Este é um dos acontecimentos limítrofes com o qual o agente é obrigado a lidar: a rebelião. Esta situação provocada, organizada, planejada
e executada pelos menores expõe todos os monitores da Febem a uma
condição de risco extremo de serem feitos reféns, de agressões violentas
e de morte.



Além destes riscos, os trabalhadores, após terem vivenciado uma
rebelião, possivelmente apresentarão, em um primeiro plano, sintomas de
estresse pós-traumático e em outros planos poderão sofrer sérias mudan-
ças na sua postura profi ssional, bem como implicações sobre continuar ou
não trabalhando como monitor na Febem.
Como surge então uma rebelião? Quais fatores ou condições propiciam
a sua eclosão? Quais os seus objetivos?
Segundo os próprios agentes, a rebelião, tem diferentes nuances e facetas. É sem dúvida uma situação extrema, quando as formas de controle
objetiva e subjetiva já não encontram continência e nem tampouco surtem
efeito: O jeito é “virar a casa”, ou seja, tomar o controle, desorganizar, destruir, queimar, extrapolar todas as barreiras, mesmo que o preço seja a
própria vida.
Apesar desta desorganização e destruição, em geral elas têm objetivos
bem definidos: rebeliões são organizadas para disputa de grupos rivais;
para agredir os funcionários (para “zuar o funça”, na linguagem do menino),
em geral bem definidos anteriormente em função da relação deste com
os meninos e de sua postura no pátio; para dominar a casa ou para fugir.
Os agentes experientes identificam algumas situações e momentos
em que pode emergir uma rebelião.
A “casa desandada” , nas mãos dos meninos com a conivência do diretor “paga pau” "madeirão"
e de monitores sem uma postura firme, pode abrir precedentes para troca de favores, como levar celular, e até drogas para dentro
das unidades, favorecer a ausência de rotina e a resistência a esta rotina
por parte dos meninos.
Além disso, outros indícios são descritos como: o uso da “touca ninja”
o “bater grade”
; o ficar cochichando em grupos; o cantar em grupo para
dissimular o ruído da confecção de armas brancas (“estiletes, highlander”
etc); a retirada dos parafusos das trancas (usados para produção de
armas), “além de um espírito de rebelião, uma tensão que é sentida no ar
e a gota d’água que faz a coisa desandar”. Todas estas dicas, se percebidas
pelo agente, daí a importância da experiência, do funcionário de carreira.
Quando a rebelião eclode ou mesmo um tumulto, exigem-se do monitor posturas de contenção dos meninos e do movimento. Se há experiência
por parte do coordenador de turno e dos monitores, as providências tomadas serão no sentido de retirar do pátio e da unidade todos os monitores
e monitoras, trancar as portas e chamar os vigilantes, o “choquinho” ou
mesmo a tropa de choque para conter o movimento sem que os meninos
percebam suas intenções.
No entanto, apesar das providências tomadas e de se chamar o refor-
ço, o “choquinho” nem sempre atende a solicitação de imediato e aí as conseqüências do atraso são as agressões, a destruição, as fugas etc. E
em várias ocasiões, exige-se do monitor, em sua atividade de trabalho, o
uso da violência para a contenção do menino. Esta é uma questão séria e
complexa, pois este mesmo agente do qual se exige uma postura de contenção, pode ser demitido por justa causa em função desta exigência após
o final da rebelião.
Quando o movimento é apenas de tumulto, agentes e coordenadores experientes controlam a situação “no grito. A primeira coisa é ficar de
pé, se estiver sentado; bater a cadeira no chão e gritar: pára, pára. Após o
controle da situação, forma-se todos os meninos no pátio, só de coruja e
dá uma lição de moral neles”.
As rebeliões muitas vezes têm saldo bastante negativo, tanto para
meninos como para agentes, sejam por agressões, acidentes de trabalho, óbitos etc. Pode ocorrer também a culpabilização do funcionário e
o afastamento de grande número de agentes de uma mesma unidade
motivado por doença pós-rebelião, por demissões por justa causa ou por
demissão espontânea.

Os agentes são tomados por sentimentos e emoções contraditórias
quando em situações de tumulto, agressões ou de rebeliões. Pensando em
termos da teoria do estresse, verifica-se claramente o estado de alerta que
é disparado a partir de um estímulo de perigo e as reações de fugir ou de
lutar.
(extraido do livro "monitores da febem)
Retirado do site :http://funcanews.blogspot.com.br/search/label/A%20%20REBELI%C3%82O

segunda-feira, 11 de abril de 2011

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sistema Nacional de Atendimento Sócioeducativo - SINASE

Brasil. Presidência da República. Secretaria Especial dos Direitos Humanos.
Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Sistema Nacional De Atendimento Socioeducativo -SINASE/ Secretaria Especial dos Direitos Humanos – Brasília-DF: CONANDA, 2006.
Ver documento aqui:
http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/.arquivos/.spdca/sinase_integra1.pdf

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pedofilia na Internet

Segundo cálculo feito pelos responsáveis pelo site Censura revela um retrato devastador da pedofilia na internet. No espaço de 8 anos foram recebidas denúncias de 6.200 páginas na internet contendo pornografia envolvendo crianças e adolescentes. Cada uma apresentava cerca de 900 fotos e 300 vídeos inéditos dessa natureza. Segundo as contas da ONG, chega-se a 7 milhões de meninas e meninos vitimados. Somente em 2006, que ainda não chegou à sua metade, o site Censura recebeu 1.900 denúncias, uma média de 16 denúncias por dia. Devo destacar que 80% das notificações se referem às comunidades no Orkut, a rede relacionamentos que tem 96% de brasileiros como seus usuários. Nada como um choque de ética e de valores humanos para banir da sociedade o cada vez mais presente crime da pedofilia. Acompanhamos ações das polícias, das organizações não-governamentais que tratam dos direitos das crianças e dos adolescentes, mas existe um descompasso entre o crescimento da pedofilia virtual e a sua repressão. Sem dúvida, se tornam necessárias leis ainda mais rigorosas para punir os pedófilos e também mecanismos mais eficientes junto aos sites de buscas com o Google e as comunidades como o Orkut vetando a disponibilização de sites criminosos em geral. E não apenas os dos pedófilos, mas também daqueles que acirram os preconceitos raciais, étnicos, religiosos.
Washington Araújo *
Jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela UNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil, Argentina, Espanha, México.
Fonte:
http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=22682

domingo, 21 de novembro de 2010

MAIS UM ADOLESCENTE MORTO NO CEIP DOM BOSCO!

ATÉ QUANDO MORTE DE ADOLESCENTE SERVIRÁ SOMENTE PARA ESTATÍSTICA?!

Na madrugada do dia 16 de outubro de 2010, mais um adolescente foi morto no Centro de Internação Provisória Dom Bosco (CEIP Dom Bosco). Fico me perguntando até quando a situação de desrespeito aos direitos do adolescente continuará acontecendo descaradamente nessa Unidade de Atendimento Socioeducativo sem que ninguém possa fazer cessar essa situação de desrespeito.
Quantos manifestos já foram feitos, reportagens, ação civil pública... E nada acontece!
As pessoas que lá trabalham ficam de “mãos atadas” sem nada poder fazer efetivamente para mudar a situação, pois não dependem delas. Aliás, ao que lhes cabe, já fazem e muito.
Nós, Agentes de Segurança Socioeducativo, os técnicos, direção, supervisão, e equipe de enfermagem nos desdobramos para tentar amenizar o problema, tendo que “fazer mágica”, nos virar, não “nos trinta”, mas com a média dos 140 (cento e quarenta adolescentes) para conseguir dar o mínimo de atendimento socioeducativo possível sem ter nenhuma estrutura adequada para isso.
Ver um adolescente morto não é nada agradável, e quem está na linha de frente sabe disso. E o pior de tudo é que simplesmente parece ser mais um que se foi... Em uma fala de um adolescente no CEIP, ele expressa: “... é, agora é menos um na minha frente na lista de espera para internação, estou na posição 40, que beleza! ” .
E tem mais, desculpem por eu parecer sarcástico, pois o que faço não é piada, nem desmerecimento a ninguém. Só quero um dia ser ouvido!
A morte de um adolescente é mais um grito que ecoa. Mas nem sei se ecoa, pois se ecoasse alguém já teria feito alguma coisa. Não é o primeiro adolescente que morre por negligência, e todo mundo sabe de quem!
São tantas mortes que já perdi a conta, aliás, ninguém faz conta... Quando digo que me dá vontade de chorar, dizem que sou “bobo”. Se falo que estou indignado, me perguntam para quê?! E ainda com desdém dizem que nada há de se fazer.
Ainda dizem que manifestos expõem a Unidade. Gostaria aqui, de manifestar um sentimento de satisfação, de contentamento pelo bom andamento do trabalho socioeducativo. Mas apesar do esforço da comunidade educativa do Dom Bosco, não é isso o que vejo, nem o que sinto.
Como já disse anteriormente, sei da heroicidade da comunidade socioeducativa que “no meio do palheiro” encontra “agulhinhas” para sustentar o CEIP Dom Bosco e a calamidade não ser maior.
O que é preciso fazer?! Isso não precisa dizer, seria como se fosse ensinar padre a “rezar missa”.
Muitas vezes repetimos a frase: difícil é saber o que está no Padrão no Dom Bosco.
Mas vou dar aqui algumas dicas do que está fora do padrão no CEIP Dom Bosco e que precisa ser mudado.
- alojamentos superlotados;
- as atividades socioeducativas ficam prejudicadas devido à superlotação e com isso os adolescentes passam maior parte do tempo “presos” nos alojamentos;
- os adolescentes não possuem defesa técnica conforme previsto legalmente, o que deixa ampla margem para violações diversas dos seus direitos;
-a estrutura física da Unidade é inadequada para a quantidade de adolescentes;
- não há divisão por compleição física e ato infracional;
- adolescentes com medida de semiliberdade em regime de internação por não haver vagas nas casas de semiliberdade;
-lista de até 45 adolescentes à espera de vagas nas Unidades de internação;
- horário de silêncio na unidade a partir de meia noite, de segunda a sexta-feira, horário em que se apagam as luzes da unidade;
-alimentação noturna servida nos alojamentos onde se alimentam sem sequer uma colher;
-não tem lixeira nos alojamentos e por isso os adolescentes jogam lixo no chão, no corredor dos núcleos e janelas;
- Iluminação precária, alojamentos que apagam as luzes juntas,
- falta de gerador de energia, quando falta energia o caos da unidade se agrava;
- os banheiros dos alojamentos não têm iluminação;
- só existem duas lanternas funcionando;
-fiação elétrica exposta, lâmpadas de fácil acesso aos adolescentes e que se tornam armas;
-quando chove o sistema não tem estrutura para serem realizadas as atividades,
-não há enfermeiros no plantão da noite;
-quando fazemos requerimentos para a SUASE não temos resposta;
- negam nossos direitos estabelecidos em lei e não se justifica o motivo;
- O Agente que trabalha na função de coordenador de equipe não tem remuneração a mais pelo cargo, apesar de ter mais responsabilidades e exercer cargo de gerência;
-Dentre outras precariedades que aqui não podem ser explicitadas, porque realmente deixariam em exposição à Segurança da Unidade.
Fato é que não poderia deixar de me manifestar frente a mais uma das tantas e tantas situações de desrespeito aos direitos dos adolescentes internados no CEIP Dom Bosco.
Como diz o velho provérbio, quem tem ouvidos para ouvir, ouça!
E que a carapuça recaia sobre aqueles que têm não só o dever, mas a obrigação de fazer alguma coisa.
Assinado,
Um Agente Socioeducativo “INVISÍVEL”!
Invisível como a situação de calamidade do CEIP Dom Bosco.
Notícia extraída de:
http://www.blogdonilmario.com.br/conteudo.php?MENU=5&LISTA=detalhe&ID=1654

CEIP Dom Bosco, a unidade de ressocialização de adolescentes infratores em Santa Tereza, BH. André Quintão, Carlin Moura e João Leite foram os deputados presentes.
O CEIP foi feito para abrigar no máximo 80 adolescentes, e tem hoje 140 – já é um erro que traz conseqüências. A morte do menino foi no dia 16 de outubro.